# Previsto, comprometido, recebido e pago: quatro coisas diferentes na gestão financeira da ONG

> Orçamento previsto não é dinheiro na conta, promessa de financiador não é repasse e saldo bancário não é recurso livre. Veja os estados de uma despesa e de uma receita, como separar recurso livre de vinculado e uma planilha mínima para acompanhar tudo.

- URL: https://blog.nexussocial.com.br/posts/previsto-comprometido-recebido-pago-gestao-financeira-ong
- Publicado em: 2026-11-07
- Autor: Equipe Nexus (Blog Nexus Social)
- Palavras-chave: gestão financeira ONG, previsto comprometido pago, fluxo de caixa ONG, recurso livre e vinculado, saldo bancário ONG, recursos restritos, contas a pagar ONG, orçamento OSC, prestação de contas, Nexus Social

## Pontos-Chave sobre Previsto, Comprometido, Recebido e Pago

- **Uma despesa passa por estados diferentes.** Prevista no orçamento, assumida (comprometida), entregue (realizada) e paga são quatro momentos. Misturá-los esconde dívidas e atrasos.
- **Uma receita também.** Oportunidade, promessa, compromisso formal, dinheiro recebido e dinheiro aplicado não são a mesma coisa. Contar a promessa como caixa é o erro mais caro de uma ONG.
- **Saldo bancário não é dinheiro livre.** Parte do que está na conta pode ter destino definido por um financiador ou por um doador.
- **Cada data conta uma história.** Competência, emissão da nota, entrega, vencimento e pagamento são datas distintas e precisam ser registradas separadamente.
- **Sem dado não é zero.** "Não informado" e "R$ 0,00" são respostas diferentes e levam a decisões diferentes.

## O Erro que Quase Toda ONG Já Cometeu

A diretora olha o saldo do banco, vê R$ 50.000 e aprova a contratação de uma oficineira. Dois meses depois, a ONG não consegue pagar a conta de luz. O que aconteceu?

Dos R$ 50.000, R$ 30.000 eram o repasse de um projeto e só podiam ser usados nas despesas daquele projeto. R$ 12.000 já estavam comprometidos com contas que venceriam em breve. Sobravam R$ 8.000 de recurso realmente livre, e a nova contratação custava mais que isso.

Nada nessa história é incompetência. O problema é que o **saldo da conta responde a uma pergunta (quanto há no banco?) e a decisão exigia outra (quanto posso gastar, com o quê, até quando?)**. A gestão financeira da ONG é, em boa parte, a disciplina de manter essas perguntas separadas.

## Os Estados de uma Despesa

Toda despesa passa por uma cadeia. Para despesas relevantes, vale registrar cada passo; para despesas pequenas e recorrentes, a ONG pode simplificar, desde que decida isso por escrito.

| Estado | O que significa | Pergunta que responde |
|---|---|---|
| **Prevista** | Consta no orçamento ou no plano | O que planejamos gastar? |
| **Aprovada** | Alguém com autoridade autorizou | Pode gastar? |
| **Comprometida** | Assumimos a obrigação (contrato, pedido, compra) | O que já devemos, mesmo sem ter pago? |
| **Realizada (atestada)** | O bem ou o serviço foi entregue e conferido | O que recebemos de fato? |
| **Paga** | O dinheiro saiu da conta | Quanto saiu? |
| **Comprovada e conciliada** | Há documento e o pagamento bate com o extrato | Podemos mostrar? |

O ponto central: **previsto não é obrigação, obrigação não é gasto e gasto não é pagamento.** Quem só olha o que foi pago enxerga o passado. Quem olha o comprometido enxerga o que vai sair nas próximas semanas.

Alguns detalhes que evitam confusão:

- **Atesto** é a confirmação de que o serviço ou o produto foi entregue, feita por quem recebeu. Nota fiscal prova a venda, não a entrega.
- **Nota fiscal não é prova de pagamento.** A prova é o comprovante bancário e o extrato.
- **Pagamento parcial** precisa ser tratado como tal: a despesa continua em aberto pelo saldo, e alguém decide se quita o restante ou mantém o saldo.
- **Cancelar não é apagar.** Uma despesa cancelada deve manter o motivo registrado, e uma despesa já conciliada ou incluída em uma prestação de contas enviada não deve ser simplesmente excluída.

## Os Estados de uma Receita

A receita tem seu próprio caminho, e é aqui que a confusão custa mais caro.

| Estado | O que significa | Pode contar como caixa? |
|---|---|---|
| **Oportunidade** | Um edital, uma campanha ou uma parceria em estudo | Não |
| **Proposta enviada** | Pedimos o recurso | Não |
| **Promessa ou aprovação** | O financiador disse que vai apoiar | Não |
| **Compromisso formal** | Há um instrumento assinado, com valor e condições | Não, mas entra no planejamento |
| **Recebido** | O dinheiro entrou na conta | Sim, com a destinação definida |
| **Aplicado** | O recurso foi usado no objeto combinado | Já consumido |
| **Comprovado** | O uso foi demonstrado a quem financiou | Fechado |

Uma regra simples: **só o que entrou na conta é caixa.** O compromisso formal ajuda a planejar, e a promessa ajuda a esperançar, mas nenhum dos dois paga salário. Quando a ONG estima o caixa dos próximos meses, vale separar duas colunas: "já recebido" e "esperado, com o grau de certeza".

Outras distinções úteis:

- **Recebimento não é cumprimento.** Receber o repasse não significa que a contrapartida ou a entrega prometida foi executada.
- **Transferência entre contas da própria ONG não é receita nem despesa.** Se isso entrar na conta de resultado, os números dobram.
- **Valor bruto não é valor líquido.** Taxas de meios de pagamento e tarifas diminuem o que de fato chega.
- **Promessa não é recurso.** Em um edital, "aprovado" muitas vezes quer dizer "habilitado a assinar", e a liberação segue o cronograma do instrumento.

## Saldo Bancário, Recurso Livre e Recurso Vinculado

Esse é o conceito mais importante para quem recebe de mais de uma fonte.

- **Recurso livre** pode ser usado em qualquer despesa da ONG (por exemplo, doações sem destinação específica).
- **Recurso vinculado (ou com restrição)** só pode ser usado para o fim definido por quem o concedeu: um projeto, uma rubrica, uma atividade.

A distinção aparece na lei e na contabilidade. A Lei nº 13.019/2014 (MROSC), por exemplo, exige que os recursos de uma parceria com a administração pública sejam depositados em [conta corrente específica](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm) (art. 51), justamente para separá-los do restante. E a norma contábil das entidades sem finalidade de lucros (ITG 2002 (R1), do Conselho Federal de Contabilidade) trata a parcela do superávit com restrição de aplicação de forma separada. Peça ao contador que explique como isso aparece nas demonstrações da sua ONG.

Na gestão, o que importa é criar uma visão simples:

| Item | Valor (exemplo) |
|---|---|
| Saldo total nas contas | R$ 50.000 |
| (−) Recursos vinculados a projetos | R$ 30.000 |
| (−) Obrigações comprometidas nas próximas semanas | R$ 12.000 |
| **= Recurso livre disponível** | **R$ 8.000** |

Cuidados ao montar essa visão:

- **Não some o que não é comparável.** Não misture recurso vinculado com livre em um número só.
- **Cada recurso vinculado tem seu saldo próprio**, que só pode ser usado dentro das regras do instrumento.
- **Despesa sem critério de rateio fica "não alocada".** Estimar a parcela de cada projeto "no olho" cria problemas na prestação de contas.
- **Um custo nunca deve ser apropriado a dois projetos ao mesmo tempo.** A dupla apropriação é um dos erros mais comuns e mais caros.

## Datas: Cada Uma Conta uma História

Uma única despesa tem várias datas, e elas não coincidem:

| Data | O que registra |
|---|---|
| **Competência** | Em que período a despesa pertence |
| **Emissão** | Quando o documento fiscal foi emitido |
| **Atesto** | Quando a entrega foi conferida |
| **Vencimento** | Quando precisa ser paga |
| **Pagamento** | Quando efetivamente saiu da conta |

Um serviço prestado em setembro, com nota emitida em outubro e pago em novembro mostra em setembro um custo que o caixa só sentiu em novembro. Registrar uma única data distorce o relatório mensal e a prestação de contas. Quando uma data é desconhecida, deixe em branco. **Uma data inventada é pior que uma data ausente.**

## Uma Planilha Mínima para Começar

Não precisa de sistema para organizar isso. Em uma planilha, para despesas, algumas colunas já mudam o cenário:

| Coluna | Para quê |
|---|---|
| Descrição e fornecedor | Identificar o gasto (se não houver fornecedor, marque "não identificado") |
| Projeto e rubrica | A que se destina |
| Valor previsto, valor comprometido, valor pago | Os três estágios |
| Data de competência, de vencimento e de pagamento | As datas independentes |
| Status | Prevista, aprovada, comprometida, atestada, paga, conciliada |
| Responsável pela aprovação e pelo atesto | Quem decidiu e quem conferiu |
| Documento | Referência ao comprovante |

E para receitas: fonte, valor esperado, estado (oportunidade, proposta, compromisso, recebido), data prevista e data real, destinação (livre ou vinculada) e saldo a utilizar.

Revise essa planilha uma vez por semana, por quinze minutos. A pergunta é: **o que vence nas próximas quatro semanas, e com que recurso vamos pagar?**

## Indicadores que Valem a Pena

Poucos números, bem definidos, bastam:

- previsto, comprometido e pago, por projeto e por fonte;
- despesas vencidas, pendentes e parcialmente pagas;
- percentual de despesas com comprovante e conciliadas;
- recurso livre disponível, separado do vinculado;
- cobertura das obrigações das próximas semanas;
- concentração por fonte: quanto da receita depende de um só financiador.

Evite um "índice de saúde financeira" único. Ele esconde justamente as diferenças que este texto defende.

## Quem Faz o Quê em uma ONG Pequena

Em uma equipe pequena, a mesma pessoa pode registrar, pagar e conferir. O mínimo para reduzir o risco é que **quem solicita um gasto não seja quem o aprova** e que alguém diferente confira o extrato de tempos em tempos. O texto sobre [segregação de funções em ONGs pequenas](/posts/segregacao-de-funcoes-ong-pequena-controles-compensatorios) mostra como fazer isso com poucas pessoas.

## Como o Nexus Social Trata o Assunto

No Nexus Social, as despesas podem ser registradas com comprovante e categoria e acompanhadas por projeto, o que sustenta a visão de previsto, realizado e pago por projeto e facilita a prestação de contas. A lógica deste texto, porém, vale com ou sem sistema: o que importa é separar os estados e manter as datas independentes. Veja também [gestão financeira em OSCs](/posts/gestao-financeira-oscs-doacoes-prestacao-contas) e [despesas do projeto, comprovantes e conciliação](/posts/despesas-do-projeto-ong-comprovantes-conciliacao-conta).

## Perguntas Frequentes

### Qual a diferença entre despesa comprometida e despesa paga?

Despesa comprometida é a obrigação já assumida (pedido, contrato, serviço entregue), mesmo que o pagamento ainda não tenha sido feito. A paga é a que já saiu da conta. Olhar só o pago esconde o que vai sair nas próximas semanas.

### O saldo da conta é o dinheiro que posso gastar?

Nem sempre. Parte do saldo pode estar vinculada a um projeto ou a um fim específico, e parte pode estar comprometida com contas próximas. O que você pode gastar livremente é o saldo menos o vinculado e o comprometido.

### Posso contar o valor de um edital aprovado como receita do ano?

Como planejamento, sim, com o grau de certeza explícito. Como caixa, só quando o dinheiro entrar. Entre os dois, o recurso fica em "compromisso" ou "a receber", e o cronograma do instrumento define quando a ONG poderá usá-lo.

### Transferência entre contas da ONG é receita?

Não. É movimentação interna. Se for lançada como receita e despesa, os números do período ficam inflados.

### Preciso de contador para fazer isso?

A gestão financeira (acompanhar caixa, compromissos e destinação) é da ONG. A escrituração, os tributos e as demonstrações contábeis são do contador. Os dois trabalham melhor quando a gestão registra os estados e as datas corretamente.

### Como tratar doação de bens e serviços?

Doação em espécie (bens ou serviços) não é caixa e deve ser registrada à parte, com a forma de valoração usada. Misturar com o dinheiro distorce o saldo.

## Conclusão

Previsto, comprometido, recebido e pago são quatro respostas a quatro perguntas diferentes. Separá-los, distinguir recurso livre de vinculado e registrar cada data no seu lugar dá à diretoria uma visão em que se pode confiar para decidir e dá à prestação de contas uma base que não precisa ser reconstruída no último dia. Comece pela planilha mínima e pela revisão semanal de quinze minutos: é a mudança de menor custo e maior efeito.

---

**Quer acompanhar despesas, comprovantes e projetos em um só lugar, com histórico e controle de acesso?** [Agende uma demonstração gratuita](https://wa.me/5511936180125?text=Olá!%20Gostaria%20de%20ver%20como%20o%20Nexus%20Social%20ajuda%20na%20gestão%20financeira%20da%20minha%20ONG.) e converse com a equipe.

Saiba mais sobre o [Nexus Social](https://nexussocial.com.br) e a gestão integrada para organizações sociais.

---

## Fontes e Referências

- [Lei nº 13.019/2014 (MROSC) — Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm) — Conta corrente específica para os recursos da parceria (art. 51)
- [Conselho Federal de Contabilidade — Entidades sem Finalidade de Lucros](https://cfc.org.br/tecnica/perguntas-frequentes/entidades-sem-finalidade-de-lucros/) — ITG 2002 (R1), que trata da contabilidade das entidades sem fins lucrativos; confirme com o contador a aplicação à sua ONG
