# Revisão de projeto sem reescrever o passado: recursos próprios, doações e repasses

> Projetos mudam no meio do caminho. O que não pode mudar é a história. Veja como registrar revisões com autor, data e motivo, trocar de instrumento sem confusão e manter separados recursos próprios, doações, contrapartida e repasses.

- URL: https://blog.nexussocial.com.br/posts/revisao-de-projeto-sem-reescrever-o-passado-recursos-proprios-e-repasses
- Publicado em: 2026-11-07
- Autor: Equipe Nexus (Blog Nexus Social)
- Palavras-chave: revisão de projeto ONG, plano de trabalho alterado, recursos próprios e doações, contrapartida, repasse de recursos, saldo calculado, prestação de contas, troca de instrumento, controle financeiro OSC, Nexus Social

## Pontos-Chave sobre Revisão de Projeto

- **Projeto muda, e tudo bem.** O problema não é a mudança; é a mudança sem rastro. Toda revisão deve ter autor, data, motivo, aprovação e número de versão.
- **Inclusões, alterações e exclusões são registradas.** Apagar uma meta ou uma rubrica sem deixar marca é reescrever o passado.
- **Prestações já enviadas não são alteradas.** Se algo estava errado, nasce uma revisão nova, e a versão entregue continua intacta.
- **Recursos próprios, doações, contrapartida e repasse são categorias distintas.** Não se atribui financiamento a quem não financiou.
- **A cadeia é instrumento, repasse, prestação.** Cada repasse é prestado uma única vez, a soma dos repasses não passa do valor do instrumento e o saldo é calculado, nunca digitado.

## Por Que os Projetos Precisam Ser Revisados

Nenhum plano sobrevive intacto ao contato com a realidade. A escola muda o horário, o fornecedor sai do mercado, a demanda por uma oficina é maior do que a prevista, o repasse atrasa. Uma ONG que tenta fingir que o projeto seguiu o plano à risca costuma produzir relatórios frágeis; uma que **revisa com transparência** costuma ter mais credibilidade.

A questão prática é: **como mudar o plano sem perder a história do que foi planejado e feito até ali?** A resposta cabe em um princípio: *acrescente, não apague*. Cada mudança vira um registro novo, ligado ao anterior.

O texto sobre [erros comuns na prestação de contas](/posts/erros-comuns-prestacao-contas-ong-como-evitar) cita as alterações sem formalização como um dos erros mais caros. Este aqui mostra como formalizar de maneira leve e, depois, como manter a clareza sobre as diferentes origens do dinheiro.

## O Que Uma Revisão Registra

Uma revisão de projeto é um registro com seis campos:

| Campo | O que contém | Exemplo ilustrativo |
|---|---|---|
| **Versão** | Número sequencial | Revisão 3 |
| **Autor** | Quem propôs | Coordenadora do projeto |
| **Data** | Quando foi proposta e quando passou a valer | Proposta em um dia, vigente a partir de outro |
| **Motivo** | Por que mudar | Horário da escola mudou; turma transferida |
| **Aprovação** | Quem aprovou, internamente e, quando exigido, externamente | Diretoria; e, se o instrumento exigir, o órgão ou financiador |
| **Mudanças** | Lista do que foi incluído, alterado e excluído | Ver abaixo |

### Inclusões, alterações e exclusões

A lista de mudanças tem três tipos de linha:

- **Inclusão:** uma meta, atividade ou rubrica nova.
- **Alteração:** o valor, a data ou a descrição de algo existente mudou. Registre o "de" e o "para".
- **Exclusão:** algo deixou de fazer parte. **Não apague a linha;** marque como excluída na revisão, com a data e o motivo.

Assim, quem olha o histórico enxerga a evolução, e a pergunta "por que essa meta sumiu do plano?" tem resposta escrita.

### Se o instrumento exige autorização para mudar, peça antes

Algumas mudanças podem depender de aprovação do órgão ou financiador, e outras podem ser feitas pela própria ONG, com comunicação posterior. **Isso varia por instrumento: não presuma.** Leia o documento da parceria, confirme com o órgão em caso de dúvida e registre a resposta. A revisão interna (com autor, data e motivo) vale sempre; a externa vale quando o instrumento a exigir. O texto sobre [prestação de contas de termo de fomento](/posts/prestacao-contas-termo-fomento) lembra que o plano de trabalho orienta a execução, e por isso mudanças relevantes precisam ser tratadas com o cuidado que o instrumento pedir.

## Nunca Altere Prestações Já Enviadas

Se uma prestação de contas parcial já foi entregue e depois se descobre um erro, o impulso é abrir o arquivo e corrigir. Resista. O que foi enviado é um **fato histórico**: o órgão o recebeu naquele formato. A correção correta é:

1. criar uma **nova revisão** da prestação, com o motivo da correção;
2. manter a versão enviada guardada, identificada como tal;
3. comunicar o destinatário, se o instrumento ou a boa-fé assim indicarem;
4. registrar quem corrigiu, quando e por quê.

O texto sobre [exportar, enviar, protocolar e aprovar](/posts/exportar-enviar-protocolar-aprovar-prestacao-de-contas-e-diligencias) descreve em detalhe como congelar a versão enviada. A lógica é a mesma da revisão de projeto: o passado fica; o presente se acrescenta.

## Troca de Instrumento no Meio do Projeto

Acontece: um projeto que começou com recursos de um doador migra para um termo com o poder público; uma parceria termina e é substituída por outra; um convênio é encerrado e as atividades continuam com outra fonte. Sem cuidado, a troca embaralha tudo.

Boas práticas:

- **Corte claro na data.** Defina o dia em que as despesas e atividades passam a pertencer ao novo instrumento. O que aconteceu antes continua vinculado ao anterior.
- **Não "mude de dono" retroativamente.** Uma despesa paga sob o instrumento antigo não deve ser reclassificada para o novo só porque ele tem saldo sobrando.
- **Preserve as metas de cada instrumento separadamente.** As do antigo são medidas e prestadas até o corte (ou conforme o encerramento previr); as do novo começam do zero.
- **Registre a troca como revisão**, com motivo, data e aprovação, e arquive os dois instrumentos.
- **Confirme com o órgão ou financiador** como tratar saldos, bens e prestação final do instrumento que termina.

## Recursos Próprios, Doações, Contrapartida e Repasse

Na rotina, é fácil chamar tudo de "dinheiro do projeto". Mas a origem importa para quem presta contas e para quem lê. Quatro categorias merecem ser mantidas separadas:

| Categoria | O que é | Cuidado principal |
|---|---|---|
| **Recursos próprios** | Receitas da própria ONG (eventos, mensalidades, vendas, rendimentos), usadas no projeto | Registrar que saíram do caixa da ONG e para qual projeto |
| **Doações** | Contribuições de pessoas ou empresas, em dinheiro ou bens e serviços | Respeitar a destinação, se houver, e a transparência para o doador |
| **Contrapartida** | Parcela que a ONG se compromete a aportar, quando o instrumento prevê | Seguir o que o instrumento define quanto a forma (financeira ou não) e a comprovação |
| **Repasse** | Valor transferido por quem financia, nos termos do instrumento | Usar conforme o plano; prestar contas dele |

### Não atribua financiamento a quem não financiou

Quando o relatório de um projeto diz "custeado pelo financiador X", a afirmação precisa ser verdadeira. Se parte do material foi pago com recursos próprios da ONG, a parte do financiador não pode ficar com o crédito. O inverso também vale: despesas que o instrumento não cobre não devem ser "empurradas" para o repasse. Misturar origens gera dois riscos: prestação de contas inconsistente e perda de confiança do financiador e de doadores.

A prática que ajuda: toda despesa recebe **a fonte de recurso que a pagou**, além da categoria e do projeto. O texto sobre [despesas do projeto, comprovantes e conciliação](/posts/despesas-do-projeto-ong-comprovantes-conciliacao-conta) mostra o caminho da despesa; acrescentar a coluna "fonte" é o passo que separa as origens.

## Instrumento, Repasse, Prestação: A Cadeia

A relação entre o documento e o dinheiro pode ser vista como uma cadeia:

**Instrumento → repasses (parcelas) → prestação de cada repasse**

Três regras de consistência, que valem como boa prática de controle:

1. **Um repasse é prestado uma única vez.** Se a prestação parcial cobre o repasse 1, o repasse 1 não reaparece na prestação seguinte. Evita-se, assim, contar duas vezes a mesma despesa ou o mesmo dinheiro.
2. **A soma dos repasses não excede o valor do instrumento.** Se, ao lançar um novo repasse, o total ultrapassa o valor global, há erro de lançamento ou aditivo não registrado. O sistema ou a planilha deve alertar.
3. **O saldo é calculado, não digitado.** Saldo = repasses recebidos − despesas pagas (mais rendimentos, se o instrumento tratar disso). Se alguém digita o saldo "de cabeça", qualquer divergência passa despercebida.

A relação com a conta bancária segue o que o instrumento definir; a Lei nº 13.019/2014 (art. 51) trata da movimentação dos recursos das parcerias em conta corrente específica, e o texto sobre [conciliação bancária](/posts/conciliacao-bancaria-ong-extrato-nao-e-conciliacao) mostra como conferir o extrato dessa conta contra os registros. Já os estados do dinheiro (previsto, comprometido, recebido, pago) estão no texto sobre [gestão financeira por estados](/posts/previsto-comprometido-recebido-pago-gestao-financeira-ong).

## Evento ou Ação Concluída Não Encerra o Projeto

Uma confusão comum: a ONG realiza o seminário de encerramento, o último encontro da oficina ou a entrega final, e dá o projeto por "fechado". Mas ainda podem existir:

- despesas a pagar ou a conciliar;
- prestação de contas final a elaborar e entregar;
- diligências a responder;
- bens adquiridos a destinar, conforme o instrumento;
- saldo a devolver ou a tratar, se houver.

Portanto, **conclusão da atividade é um marco; encerramento do projeto é outro**, que só ocorre quando todas as obrigações do instrumento estiverem cumpridas e, quando aplicável, a instância competente tiver se manifestado. Registre a data de conclusão das ações e mantenha o projeto aberto, com situação "em prestação de contas", até que o ciclo termine.

## Exemplo Prático: Uma Revisão com Troca de Fonte

Uma ONG de contraturno (exemplo ilustrativo) tem um projeto de oficinas financiado por um doador privado, com valor global de R$ 120 mil, em três repasses de R$ 40 mil. No meio do projeto, uma parte das oficinas passa a ser apoiada por um novo instrumento.

| Passo | O que a ONG faz |
|---|---|
| 1 | Abre a **revisão 2** do projeto: motivo "novo instrumento cobre as oficinas do segundo semestre", autor, data e aprovação da diretoria |
| 2 | Marca as metas do segundo semestre do projeto antigo como **excluídas**, sem apagar, e inclui as mesmas atividades no novo projeto |
| 3 | Define o **dia de corte**: despesas até o corte permanecem no instrumento antigo |
| 4 | Confere os repasses do antigo: 2 recebidos (R$ 80 mil), soma abaixo do global de R$ 120 mil; o terceiro será ajustado conforme o doador decidir |
| 5 | Calcula o saldo: R$ 80 mil recebidos menos despesas pagas; **nenhum número digitado à mão** |
| 6 | Mantém a prestação já enviada intacta; se achar erro nela, abre revisão com motivo |
| 7 | Registra, em cada despesa, a **fonte** (repasse do doador, recursos próprios, doação) |

Quando o doador ou o órgão perguntar, a história está escrita: o que mudou, quando, por quê, quem aprovou e como o dinheiro foi usado.

## Como o Nexus Social Trata o Assunto

No Nexus Social, as despesas podem ser registradas com comprovante e categoria e acompanhadas por projeto, o que ajuda a manter a visão por projeto e a separar origens quando a ONG adota esse critério. O controle de acesso por papéis permite distinguir quem registra de quem aprova. O processo de revisão descrito aqui, no entanto, funciona também com planilhas bem organizadas.

## Checklist de Revisão de Projeto

- [ ] Toda revisão tem versão, autor, data, motivo e aprovação.
- [ ] Inclusões, alterações e exclusões estão listadas; nada foi apagado sem marca.
- [ ] O instrumento foi consultado para saber se a mudança exige autorização externa.
- [ ] Nenhuma prestação já enviada foi editada; correções são revisões.
- [ ] Na troca de instrumento, há data de corte e metas separadas.
- [ ] Cada despesa indica a fonte de recurso que a pagou.
- [ ] Cada repasse é prestado uma única vez.
- [ ] A soma dos repasses não excede o valor do instrumento.
- [ ] O saldo é calculado, não digitado.
- [ ] Projeto só é marcado como encerrado depois de cumprido o ciclo de prestação.

## Perguntas Frequentes

### Posso mudar o plano de trabalho no meio do projeto?

Em muitos casos, sim, mas depende do instrumento: algumas mudanças exigem autorização prévia do órgão ou financiador, outras podem ser comunicadas depois. Leia o documento aplicável ou consulte quem financia, e registre internamente cada revisão com autor, data, motivo e aprovação.

### O que fazer se descobri um erro numa prestação de contas já enviada?

Não edite o arquivo enviado. Crie uma nova revisão com o motivo, guarde a versão original e, quando fizer sentido ou o instrumento pedir, comunique o destinatário. O objetivo é preservar a história do que foi entregue.

### Recursos próprios da ONG podem ser usados no projeto?

Podem, se o instrumento ou o acordo com o financiador não restringir, e desde que fique registrado como tal. A regra de ouro é não atribuir ao financiador o que ele não pagou. Se houver dúvida sobre o que conta como contrapartida, confirme no instrumento.

### Qual a diferença entre contrapartida e recursos próprios?

Contrapartida é o aporte que a ONG se compromete a fazer segundo o instrumento, com regras de forma e comprovação definidas lá. Recursos próprios é uma categoria mais ampla: qualquer receita da ONG usada no projeto, mesmo sem exigência de contrapartida.

### Por que o saldo não deve ser digitado?

Porque um saldo digitado não tem como ser conferido e esconde erros. Calculado a partir de repasses recebidos e despesas pagas, ele reflete os registros, e qualquer divergência com o extrato aparece na conciliação.

### O projeto acaba quando termina a última atividade?

Não necessariamente. A última atividade encerra a execução, mas o projeto continua aberto enquanto houver despesas a conciliar, prestação a entregar, diligência a responder ou outras obrigações do instrumento.

## Conclusão

Revisar um projeto é um ato de maturidade, desde que a revisão deixe rastro: quem mudou, quando, por quê e com qual aprovação. Somado à separação rigorosa entre recursos próprios, doações, contrapartida e repasses, e à cadeia instrumento, repasse, prestação, esse cuidado entrega o que financiadores mais valorizam: um histórico legível e honesto. Comece pelo próximo ajuste de plano: abra a revisão, escreva o motivo e guarde a versão anterior. Reescrever o passado nunca compensa.

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## Fontes e Referências

- [Lei nº 13.019/2014 (MROSC) — Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm) — Recursos da parceria em conta corrente específica (art. 51); regras de alteração do plano, contrapartida e prestação variam conforme o instrumento aplicável
- [ITG 2002 (R1) — Conselho Federal de Contabilidade](https://cfc.org.br/tecnica/perguntas-frequentes/entidades-sem-finalidade-de-lucros/) — Norma contábil das entidades sem finalidade de lucros; o tratamento contábil de doações e recursos deve ser confirmado com o contador
- Os exemplos numéricos são ilustrativos; as regras de revisão, contrapartida e prestação devem ser confirmadas no instrumento e com o jurídico ou o contador
