Conciliação bancária na ONG: por que anexar o extrato não é conciliar
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Conciliação bancária na ONG: por que anexar o extrato não é conciliar

9 min de leitura

Pontos-Chave sobre Conciliação Bancária na ONG

  • Anexar o extrato não é conciliar. O extrato é a prova de que o dinheiro se moveu. A conciliação é a conferência de que cada movimento tem uma explicação nos registros da ONG.
  • Conciliar é um ato humano. Programas podem sugerir correspondências, mas quem confirma é uma pessoa, que assume a conferência.
  • Divergência é informação, não erro de quem conferiu. Cada diferença tem uma causa, e achar a causa é o objetivo.
  • Mexer em um lançamento conciliado desfaz a conferência. Se o valor, a data ou o fornecedor mudam, é preciso conciliar de novo.
  • Faça todo mês, por conta e por projeto. Uma hora por mês evita uma semana de pânico na véspera da prestação de contas.

Extrato Anexado Não Prova Nada Sozinho

Em muitas ONGs, a prestação de contas inclui "o extrato bancário do período". Ele é necessário, mas insuficiente. Um extrato mostra que R$ 1.800 saíram da conta em 12 de setembro. Não mostra:

  • para quem foi o pagamento e por quê;
  • se existe uma nota ou um recibo correspondente;
  • se o serviço foi entregue;
  • a qual projeto a despesa pertence;
  • se o valor pago é o valor devido.

Conciliar é responder a essas perguntas para cada linha do extrato, e fazer o caminho inverso: para cada despesa registrada, encontrar o pagamento correspondente. O texto sobre despesas do projeto, comprovantes e conciliação traz o passo a passo básico. Este post aprofunda o que costuma dar errado.

O Que É Conciliar, Passo a Passo

  1. Escolha o recorte: uma conta, um mês (ou uma quinzena, se o movimento for grande).
  2. Liste os lançamentos do extrato, entradas e saídas.
  3. Associe cada lançamento a um registro: uma despesa paga, uma receita recebida, uma transferência entre contas ou uma tarifa.
  4. Associe cada registro de despesa e de receita a um lançamento, no caminho contrário. Despesas "pagas" sem lançamento no extrato são alertas.
  5. Explique cada diferença e registre o ajuste com o motivo.
  6. Feche o período: registre quem conciliou e quando, e o saldo conferido com o saldo do extrato.

Conciliar bem é um trabalho de rotina, não de investigação. Quanto menor o intervalo, mais fácil lembrar o que cada lançamento significa.

Os Tipos de Diferença Mais Comuns

DiferençaComo apareceO que fazer
Tarifa bancáriaSaída sem despesa registradaRegistrar como despesa financeira, no centro de custo correto
RendimentoEntrada pequena e regularRegistrar como receita financeira. Em parcerias com órgãos públicos, as regras do instrumento definem o destino
Pagamento parcialValor pago menor que o da despesaManter a despesa em aberto pelo saldo e decidir se quita o restante
Pagamento duplicadoDois lançamentos iguaisInvestigar, pedir estorno ou devolução e registrar o motivo
Estorno ou devoluçãoEntrada com valor igual a uma saída anteriorLigar ao pagamento original, sem lançar como receita nova
Transferência entre contasSaída em uma conta e entrada em outraRegistrar como movimentação interna, nunca como receita ou despesa
Lançamento sem origemEntrada ou saída que ninguém reconhecePerguntar a quem movimenta a conta e, se continuar sem explicação, tratar como alerta
Registro sem lançamentoDespesa marcada como paga, sem saída no extratoPode ser erro de data, pagamento em outra conta ou despesa ainda não paga
Diferença de dataPagamento no dia 30 aparece no dia 2Normal em fim de mês. Documente

Se, depois de explicar tudo, ainda restar uma diferença que não fecha, ela deve ficar registrada como pendência, e não escondida. Uma pendência explicada vale mais que um saldo "acertado" com um ajuste sem justificativa.

Por Que Só uma Pessoa Pode Confirmar

Hoje é possível importar o extrato e deixar que um programa sugira as correspondências. Isso poupa tempo e é útil. Mas a sugestão não é a conferência:

  • o programa não sabe se o serviço foi entregue;
  • ele pode associar dois lançamentos parecidos de forma errada;
  • ele não percebe uma despesa lançada no projeto errado.

A regra é: o sistema sugere, a pessoa confirma, e a confirmação fica com o nome de quem a fez e a data. Assim, se alguém perguntar, a ONG sabe quem conferiu aquele mês. Isso importa também por um motivo de controle: quem paga não deveria ser quem concilia. Quando a equipe é pequena, o texto sobre segregação de funções em ONG pequena mostra como compensar.

O Que Desfaz uma Conciliação

Uma conciliação feita é uma foto de um momento. Se algo mudou depois, a foto perde a validade. Considere desfeita a conferência, e refaça, quando alguém:

  • alterar o valor de uma despesa ou de uma receita já conciliada;
  • mudar a data de pagamento;
  • trocar o fornecedor ou o projeto de uma despesa;
  • cancelar ou excluir um registro;
  • incluir um novo lançamento no período já fechado.

Para despesas já conciliadas ou incluídas em uma prestação de contas enviada, a boa prática é não editar nem excluir: registre a correção como um novo fato, com motivo, e preserve o histórico. Quem lê a prestação depois vê o que aconteceu, e não só o resultado final.

Conta Específica de Parceria

Quando a ONG tem uma parceria com a administração pública, a Lei nº 13.019/2014 (MROSC) determina que os recursos sejam depositados em conta corrente específica (art. 51). Para a conciliação, isso é uma vantagem: todo o extrato daquela conta pertence ao projeto, e qualquer movimento sem explicação aparece imediatamente.

Boas práticas para contas de projeto:

  • Não misture despesas de outros projetos ou da ONG na conta específica;
  • concilie a conta de cada projeto separadamente, com o extrato correspondente;
  • guarde o extrato do período inteiro, não apenas das linhas que parecem relevantes;
  • verifique as regras do instrumento sobre rendimentos, tarifas e devolução de saldo, que variam.

O texto sobre prestação de contas MROSC com sistema de gestão e o de relatório de execução do objeto e financeiro mostram como a conciliação alimenta a prestação.

Exemplo Prático: Uma Hora de Conciliação Mensal

Uma ONG com uma conta para recursos próprios e duas contas de projeto separa a primeira sexta-feira de cada mês.

  1. Baixa os três extratos e abre a planilha de despesas e receitas.
  2. Na conta do Projeto A, 42 lançamentos: 40 fecham sem dificuldade. Um é uma tarifa de R$ 14,90 (registrada como despesa financeira) e outro é uma saída de R$ 480 que ninguém reconhece.
  3. Pergunta à coordenadora: era o pagamento de materiais de uma oficina, feito pelo cartão do projeto. A nota estava em outra pasta. Registra a despesa, anexa o comprovante e fecha a diferença.
  4. Na conta do Projeto B, há um pagamento duplicado de R$ 1.200 a um fornecedor. Registra a pendência, pede o estorno e anota a data do pedido.
  5. Na conta de recursos próprios, uma transferência de R$ 5.000 para a conta do Projeto A (contrapartida) aparece como saída e como entrada. Registra como movimentação interna.
  6. Assina o fechamento: quem conciliou, quando e o saldo conferido de cada conta.

Em uma hora, a ONG tem três contas conferidas, uma duplicidade em tratamento e um registro que explica o que aconteceu. Na véspera da prestação de contas, isso vale uma semana.

Sinais de Que a Conciliação Está Falhando

  • Despesas "pagas" há meses sem lançamento correspondente.
  • Saldo da planilha diferente do saldo do banco há mais de um mês.
  • Ajustes lançados como "diferença" sem explicação.
  • A mesma pessoa paga, registra e concilia, sem que ninguém revise.
  • A conciliação só é feita "quando a prestação de contas aperta".
  • Extratos guardados, mas ninguém sabe dizer se estão conferidos.

Checklist Mensal

  • Extratos de todas as contas baixados e completos.
  • Cada lançamento associado a uma despesa, receita, tarifa ou movimentação interna.
  • Cada despesa paga com lançamento correspondente.
  • Diferenças explicadas, ou registradas como pendência com responsável e prazo.
  • Saldo conferido por conta.
  • Nome de quem conciliou e data registrados.
  • Alterações posteriores em itens conciliados marcadas para reconciliar.

Perguntas Frequentes

Conciliação bancária é o mesmo que conciliação contábil?

Não. A bancária compara o extrato com os registros de caixa e banco da ONG. A contábil é uma conferência mais ampla, feita pelo contador, entre os registros e as demonstrações. A bancária bem-feita facilita muito o trabalho do contador.

Com que frequência devo conciliar?

Ao menos uma vez por mês, e por conta. Organizações com muito movimento costumam conciliar a cada semana ou quinzena. Quanto menor o intervalo, menor o esforço.

Posso conciliar sem sistema, só com planilha?

Pode. Uma planilha com as colunas do extrato e as dos registros, com uma coluna de "conferido por" e "data", já cumpre o essencial. O que importa é a conferência e o registro de quem a fez.

Uma sugestão automática de correspondência basta?

Não. A sugestão acelera, mas a conferência é humana. Confirme cada associação, sobretudo as de valores parecidos.

O que fazer com uma diferença pequena que não consigo explicar?

Registre como pendência, com valor, data e responsável por investigar. Não faça um ajuste "para fechar". Diferenças pequenas e repetidas podem indicar tarifas não registradas ou erros sistemáticos.

Preciso conciliar contas de poupança e aplicações?

Sim. Rendimentos, resgates e aplicações movimentam o saldo e, em parcerias, as regras do instrumento definem o destino dos rendimentos. Concilie todas as contas que movimentem recursos da ONG.

Conclusão

Conciliar é conferir, linha por linha, que o que o banco mostra corresponde ao que a ONG registrou, e deixar escrito quem fez isso. Extrato anexado é um começo; conciliação feita todo mês, por conta e por projeto, com as diferenças explicadas, é o que dá confiança a quem decide e a quem fiscaliza. Comece com uma hora por mês e uma planilha: o hábito vale mais que a ferramenta.


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Fontes e Referências

Nexus Social — Software de Gestão para o Terceiro Setor

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Escrito por Equipe Nexus

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